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OLÁ VISITANTES!

Este é o meu DOSSIÊ DE INCLUSÃO que será uma construção através de relatos meus, de angústias vividas e experiências minhas.

Será também um local de registro de troca de idéias com colegas, de leituras, reflexões e principalmente de uma busca de um referencial teórico que até hoje eu ainda não tive oportunidade de ter contato.Tenho muitas expectativas nesta APRENDIZAGEM COLETIVA.
31/03/09
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MINHAS PRIMEIRAS REFLEXÕES A RESPEITO DO ASSUNTO...
Até este momento nunca parei de fato para buscar maiores informações a respeito de alunos com necessidades especiais, o máximo que fiz foi participar de alguns programas de formação (que foram de apenas de 4h de duração) e que na verdade foram mais relatos de casos do que qualquer outra coisa, porém gostaria que ficasse registrado no meu dossiê alguns pensamentos meus iniciais nesta disciplina, para que ao término da mesma possa fazer uma espécie de comparação entre o que eu sentia e percebia a respeito deste assunto e o que mudei, reformulei, aprendi, enfim refleti...
...Posso afirmar que tenho dois sentimentos no que se refere a inclusão das crianças portadoras de necessidades especiais nas nossas escolas: o primeiro sentimento que de certa forma me conforta, mas ao mesmo tempo me revolta, é que muitas colegas relataram no fórum que trabalham com crianças especiais, mas não possuem conhecimento para isto, isto é, a lei existe para amparar os alunos a frequentarem as escolas, mas esta mesma lei não coloca pessoas para fiscalizar e ver como estão os estabelecimentos de ensino que possuem crianças com necessidades especiais.
Saber que muitas de nós trabalham nesta realidade, faz com que eu sinta que não estou "sozinha neste barco". Mas o segundo sentimento que relato é minha indignação em relação às autoridades que pouco fazem à respeito da inclusão. A primeira vez que tive um aluno de inclusão era um menino com síndrome de down. Soube que a direção colocou-o na minha turma simplesmente porque das quatro séries que havia na escola, eu era considerada a professora mais calma e paciente e a única que não havia se negado a atendê-lo. Posso dizer também pra vocês que ninguém veio me questionar ou saber minha opinião a respeito ou se eu queria ou não tê-lo na minha turma. Num certo tempo pensei que toda professora deveria aceitar um aluno com necessidade especial, caso estivesse em sua turma. Hoje já penso diferente: há professoras (infelizmente) que não podem ter estes alunos em suas turmas, pois não possuem a sensibilidade necessária para lidar com eles (bem isto é outra questão...).
Voltando ao assunto: quando a mãe deste aluno veio falar comigo fui sincera ao dizer que nunca havia trabalhado com alunos com síndrome de down e ela foi me dando dicas de como ele falava quando queria ir ao banheiro, de às vezes se negar de fazer as atividades propostas, etc. A única resposta que tive coragem e certeza de dizer a ela foi a seguinte: "No que depender de mim, seu filho sempre será respeitado nesta sala de aula" e foi o que fiz. Não tenho vergonha em dizer que não tinha conhecimento de como lidar com ele em relação às suas aprendizagens e nem tinha alguém que me ajudasse na escola. Agora em relação ao respeito, nisso eu fui inflexível: este aluno deveria ser respeitando da mesma forma que os outros, isto é, não poderia haver deboches e nada parecido. Qualquer episódio que ocorresse, parava a aula e conversava com os alunos. Não me arrependo do que fiz diante do pouco ou nenhum conhecimento que tinha.
Acho que por enquanto é isto...
12/04/2009
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CONTINUANDO...

Bem, estou um pouco atrasada nesta atividade e terminando as leituras, mas já posso fazer uma postagem inicial dando continuidade ao meu dossiê.
Neste ano estou trabalhando numa nova realidade escolar, pois ao término do ano letivo de 2008 solicitei alteração de designação e meu pedido foi aceito. A partir disso, posso dizer que tudo é novo para mim e inclusive não sei quem são todos os alunos com necessidades especiais. De certa forma isto torna o meu trabalho para o dossiê um pouco mais difícil, trabalhoso e investigativo, mas não impossível. Digo isto, visto que na antiga escola já conhecia bem todos os alunos.

Através de uma pesquisa inicial posso afirmar que há atualmente 341 alunos na escola onde estou trabalhando divididos em dois turnos que abrangem desde a Educação Infantil até a 8ª série. No turno da manhã há uma turma de 1º ano, 2º ano, duas turmas de 6ª séries, duas turmas de 7ª séries e uma 8ª série. À tarde há uma turma de Educação Infantil, uma turma de 2º ano, uma turma de 3º ano, uma turma de 4º ano, uma de 4ª série e duas turmas de 5ª séries. É a primeira vez que estou tendo contato com alunos maiores (da área) e inclusive com alunos de inclusão nas séries finais.
A escola está localizada num bairro bem distante do centro da cidade, já quase na divisa com outro município. Há alunos carentes (mas não miseráveis) e há outros com um considerável nível econômico.
Em relação ao número de professores a escola conta atualmente com um grupo de 20 docentes, incluindo direção e supervisão, ou seja, estamos super defasados e precisamos urgentemente de professores. Estamos divididos da seguinte forma:
02 pessoas - Equipe Diretiva
11 pessoas - Professores do Currículo (Séries Iniciais)
06 pessoas - Professores da Área (Séries Finais)
01 pessoa - Responsável pelo Programa Escola Aberta
É alarmante no meu ponto de vista a falta de professores para área já que são 7 turmas e apenas 6 professores. O restante podemos assim dizer são "quebradores de galho", gente do currículo fazendo favor, o que faz com que o trabalho perca sua qualidade.
Na escola há um número significativo de alunos com necessidades especiais, porém nem todos com diagnóstico, pois há pais que simplesmente ignoram os "chamados e alertas da escola", ano após ano, para uma averiguação mais profunda a partir de um profissional capaz de fazer diagnóstico preciso. Isto dificulta muito o trabalho do professor que segue o seu trabalho sem saber exatamente a dificuldade de aprendizagem que um determinado aluno possui, qual a melhor forma de auxiliá-lo a transpor esta dificuldade e inclusive deixando de ser significativo o vínculo que o aluno mantém com a escola, uma vez que a família que não o assistiu quando necessário o chama de burro e outras coisas mais por não aprender.
É claro que também há os casos de alunos com necessidades especiais já encaminhados e fazendo tratamento e acompanhamento. Em relação ao acompanhamento que fazem, posso dizer que os alunos com dificuldades intensas de aprendizagem são encaminhados a um serviço especializado da Secretaria de Educação chamado Nappi. Lá eles recebem um atendimento individualizado e também orientação aos pais.
Achei um documento na escola referente ao ano de 2008 onde constava a listagem de alunos encaminhados ao Nappi. Eram 15 alunos e foram classificados conforme a seguinte orientação com o objetivo de uniformização terminológica e conceitual:
1- Superdotação 5- Deficiência Mental
2- Condutas Típicas 6 - Deficiência Visual
3- Deficiência Auditiva 7- Deficiência Múltipla
4- Deficiência Física
Alguns alunos estavam enquadrados em mais de uma deficiência, porém as condutas típicas que são em maioria, são casos em que não há um diagnóstico preciso e o aluno tem uma conduta muito particular.
Bem, através das leituras realizadas e das que ainda estou fazendo percebo que cada vez mais a legislação favorece o atendimento destes alunos em escolas regulares, aliás este já é um direito que consta na LDB e nas resoluções do CNE/CEB, bem como nas práticas de políticas públicas para o atendimento destes educandos. Porém finalizo expressando que no dia a dia de nossas escolas não percebemos o direito daquele aluno especial sendo atendido da forma como deveria ser e neste caso não me refiro a minha própria escola, mas em muitas escola de que ouço falar. Existem conquistas sim, como no caso de um aluno nosso que após três anos na escola e tendo uma deficiência física, tendo que se locomover com um andador em escadas, recebeu agora uma pessoa cuidadora que inclusive troca suas fraldas, pois antes qualquer problema ele tinha que ir para casa, impossibilitando inclusive sua mãe de trabalhar. Já fiquei muito feliz por isso... E por equanto também é isso...
27/04/2009
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UNIDADE III
No município de São Leopoldo temos um serviço específico para o atendimento de crianças e alunos que necessitam de atendimento especializado: é o NAPPI (Núcleo de Apoio e Pesquisa ao Processo de Inclusão).

O NAPPI, como é comumente chamado, tem seu foco de ação terapêutico-pedagógico e atendimento educacional especializado as escolas da rede muncipal, sendo que conta com profissionais como: psicóloga, pedagoga, assitente social e inclusive fonoaudióloga.
Este serviço funciona em parceria com as escolas, pois é na escola que educadores identificam alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem ou que necessitem algum outro tipo de atendimento especializado e então fazem um "encaminhamento" ao Nappi.
O Nappi então verifica a importância do atendimento seguindo um critério de maior necessidade e casos graves e então o aluno e sua família são chamados para uma entrevista e posterior atendimento.
O problema surge quando muitas famílias negam este atendimento por acharem que seus filhos não precisam ou até mesmo discriminarem, considerando desnecessário. Há também a questão da demanda de atendimento ser bem maior do que o número de vagas abertas.
O município está finalizando a sua quarta sala de recursos onde atende casos mais sérios relacionados à necessidades especiais.
A seguir dados obtidos no NAPPI que se referem a atendimentos do ano de 2008:
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Total de atendimentos: 376
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(29 famílias e 347 alunos), sendo 126 meninas e 221 meninos
a) Condutas Típicas ou transtornos globais do desenvolvimento: 294
b) Síndrome de Down: 10
c) Deficiência Auditiva: 01
d) Deficiência Visual: 01
e) Superdotados/Altas Habilidades: 04
f) Surdez: 01
g) Deficiência Física: 10
h) Deficiência Múltipla: 06
i) Deficiência Mental: 19
(*estes dados foram fornecidos pelo Nappi)
Na escola que estou trabalhando este ano foram reencaminhados ao Nappi alunos que já o frequentavam no ano anterior e também alguns alunos novos. Considero o trabalho desenvolvido pelo Nappi importante e significativo, porém ainda precisa ser ampliado e modificado em alguns aspectos. Sabemos em que há casos em que as professoras do Nappi não conseguem falar com a professora titular do aluno que está sendo atendido, durante um ano letivo inteiro e isto no meu ponto de vista não pode acontecer, pois professora e atendente especializada do Nappi devem estar em sintonia para perceber crescimento e progresso do aluno atendido, bem como analisar qualquer conduta diferente do comum naquele aluno, já que ele realmente necessita um atendimento especializado, isto é, uma atenção e um olhar diferenciado.
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ESTUDO DE CASO

Como Estudo de Caso resolvi escolher uma aluna que não é minha, isto é, não dou aula para ela, mas seu caso me chamou muito a atenção devido a sua grande alegria e dedicação aos estudos.
Ela é uma aluna que possivelmente estará concluindo a 8ª série neste ano letivo de 2009 e como sou professora nova na escola, me impressionou muito a sua garra, determinação e vontade de aprender e viver a vida intensamente.
Carol tem hoje 17 anos de idade já completos, apesar de aparentar ter bem menos, e frequenta a escola desde 1997, quando tinha 5 anos de idade.
Pesquisando incialmente sobre a Carol descobri que a mesma nasceu prematura de 7 meses através de um parto cesárea, onde houve bolsa rota com perda de líquido da placenta, porém o mesmo foi bem assistido no Hospital de Clínicas em Porto Alegre. Mesmo assim ela necessitou ficar 20 dias na incubadora. Antes disso porém, sofreu parada respiratória ainda no ventre, sofrendo falta de oxigênio e consequentemente paralisia cerebral parcial atingindo principalmente o lado direito dificultando o lado motor/locomoção.
Sobre o seu desenvolvimento/histórico:
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Começou a caminhar com 2 anos e 6 meses
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Dos 2 aos 4 anos de idade tomava remédios para convulsão
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Apresentou estrabismo que amenizou, mas após problema no músculo ocular
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Tem capacidade de aprendizagem, mas dentro do seu ritmo
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Foi atendida pelo SEI ( hoje é o NAPPI) e também tratamento com neurologista
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Encaminhamento a ortopedista (nervo da perna não acompanhou o crescimento), possível cirurgia
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Depressão (fase inicial) em 2004
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13 anos (possível cirurgia), precisa de tempo maior
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E o mais importante: tem SONHOS: quer ser médica, advogada ou professora...
Sobre o seu desenvolvimento cognitivo:
Carol é aluna da escola desde 1997, quando foi matriculada no antido Jardim da Infância com 5 anos e 1 mês. Cursou duas vezes a 1ª série, duas vezes a 2ª série e duas vezes a 4ª série.
Ao longo de sua escolaridade teve atendimento no SEI/NAPPI com psicopedagoga, constando no termo de desligamento como hipótese diagnóstica atraso psicomotor e defasagem cognitiva. Foi desligada a pedido da mãe por alegação de problemas de saúde. Desde 2005 vem recebendo atenção diferenciada por parte dos professores da escola, de acordo com os princípios da Educação Especial, expressos na resolução CNE/CEB nº 2 de 11/09/2001(flexibilização curricular e avaliativa).
Atualmente não está em nenhum atendimento especializado, que a escola tenha sido informada, a não ser sessões de fisioterapia e natação em função do problema motor/locomoção.
Percebe-se que no caso da Carol a mãe não quis mais o atendimento porque não mais achou necessário, mas apesar de já ter sido chamada inúmeras vezes para conversas na escola com a finalidade de conscientizá-la e continuar o atendimento para o bem da Carol, ela nega. Acha que sua filha já está muito bem assim, porém entre os professores é unânime a opinião de que ela está regredindo cognitivamente, o que nos deixa neste momento de mãos atadas e muito tristes.
11/05/2009
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UNIDADE V
Complementando meu estudo de caso tenho as seguintes observações e registros a fazer:
* Carol está desde a Educação Infantil (antigo Jardim de Infância) nesta escola e para ela frequentar a escola é algo muito prazeroso. Ela conhece todos os professores e da mesma forma tem um ótimo relacionamento com todos. Gosta de encontrá-los durante o recreio ou nos corredores e bater um papinho com eles, matando a saudade. Sinto que apesar de eu ser uma professora nova na escola, Carol logo procurou aproximar-se de mim, o que mostra que ela possui uma boa auto estima, que procura comunicar-se, fazer novas amizades, enfim, apesar de suas limitações e de ser uma pessoa como nós, mas diferente pelas suas especialidades, não se constrange com nada. Aliás este constrangimento geralmente é alimentado pelos outros e não pelas pessoas portadoras de necessidades especiais.
* Seus assuntos quando conversa comigo são os mais variados desde as suas atividades extra curriculares como natação, fisioterapia, o frio (que ela sente muito), projeto de robótica e vejam só ela adora as aulas de Ensino Religioso que eu ministro nesta turma desde abril pois não há professor.
* É verdade que nestas aulas procuro trabalhar questões bem pertinentes a faixa etária deles e uso de bastante franqueza ao tratar de temas atuais e também há muitos momentos de discussão e reflexão o que torna a aula muito gostosa.
* Carol já conversa comigo sobre a saudade que irá sentir no dia em que sair da escola e pelo que tudo indica será no final do ano caso ela aprove ou seja promovida. Este é um assunto bastante delicado pois já a questionei perguntando sobre seu futuro e ela vislumbra grandes sonhos para sua vida, porém quando a questiono sobre um futuro mais próximo como por exemplo: onde continuará seus estudos, ela se cala, pensa e diz que não sabe. Na verdade ela tem noção de suas limitações e também de que não será facil uma nova adaptação num novo local, com novas pessoas e nova estrutura. Além disso não sabe se sua família permitirá a continuação dos estudos.
* Tenho que ser sincera em dizer que os movimentos de adaptação da escola em relação a Carol foram ocorrendo a medida em que foram surgindo, isto é, quando viu-se a necessidade. Da mesma forma que a Carol se adaptou na escola, a escola foi construindo e movendo seu espaço pensando na aluna, porém ainda há muitos obstáculos como escadas que levam até o pátio, o refeitório porque só há rampas no acesso as salas de aula. Este ano especialmente, a turma da Carol foi colocada no segundo piso, pois era um desejo de todos os alunos, eles sempre estudaram no 1º piso. Mas a condição para isso acontecer foide que se houvesse algum problema com a Carol teriam que trocar de sala. Até agora não foi necessário, mas fica o registro de que por conta das escadas e dos problemas de locomoção a aluna sempre chega na sala com alguns minutos de atraso.
* As adaptações curriculares foram discutidas pela supervisão com o grupo de professores e o que decidiu-se é que a aluna participe de todas as aulas, que tenha as mesmas atividades na medida do possível, porém nas avaliações os critérios e exigências são diferenciados, uma vez que a aluna não dá conta nem de copiar todas as tarefas do quadro, nem de concluir por exemplo uma avaliação escrita em função do seu problema motor. Então além de avaliações escritas mais suscintas e simples os professores a avaliam também oralmente. Na turma dela há mais alunos de inclusão, então os professores já estão acostumados. Esta forma de avaliar é um direito que a aluna possui, segundo parecer da secretaria de educação especial.
* Em relação a participação da família no processo de inclusão da Carol, pode-se afirmar que eles contribuíram muito para que ela chegasse até a 8ª série. Foram pais dedicados, pois nesta caminhada, a menina teve que fazer cirurgias e ao mesmo tempo acompanhar os estudos. O apoio e a vontade dos pais foram fatores preponderantes também no desenvolvimento da Carol. Só que agora já percebemos alguns movimentos muito sutis que mostram que talvez para eles esteja bom onde a Carol chegou, enfim ela terminará o ensino fundamental e não sabemos ainda se ocorrerão movimentos no sentido de dar continuidade aos sonhos da garota.
* Este fator está atrelado ao fato de que eles moram próximos da escola e caso ela continue seus estudos toda uma nova rotina terá que ser criada e fica a pergunta:
SERÁ QUE TERÃO DISPONIBILIDADE E VONTADE PARA ISSO?....
20/06/2009
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UNIDADES VI E VII
Nesta última semana tive que substituir um professor na turma onde a Carol estuda, o que me possibilitou ter um contato mais direto com ela, podendo assim conversar um pouco mais. Foi uma conversa bastante agrdável, bem natural, sobre suas preferências, gostos, vontades, etc. Abaixo seguem alguns tópicos:
* A Carol tem a seguinte rotina depois que ela volta da escola, ao meio dia: almoça com o pai, em casa. Ele é sargento da brigada militar e só começa a trabalhar às 13horas. Ela então lava louça após o almoço.
* Seu prato preferido é bife, arroz e batatinha frita. Me disse que sabe fazer bolo simples e torta de bolacha.
* Pratica natação duas vezes por semana. Quem a leva é a mãe, quando a mesma não trabalha. Aliás me disse que sua mãe trabalha numa clínica de idosos e faz curso de massoterapeuta.
* Quando questionada sobre o que mais gosta de fazer logo falou que gosta de estudar, passear e ir na casa da avó.
* Em casa faz os temas, relê os textos passados em aula , olha TV (Canal Futura) e ouve músicas. Sua música preferida é Fico assim sem você, de Adriana Calcanhoto.
* À noite toma café ou janta, revisa sua mochila e da mais uma lida nos textos para fixar bem ou estuda um pouco mais.
* Carol sabe das dificuldades que tem, por isso lê bastante. Parece que em casa há um diálogo bastante franco sobre suas limitações de aprendizagem, mas ela quer vencê-las a qualquer custo, por isso sempre está envolvida com os estudos. Digamos que se comparado com um aluno que não tem nenhuma dificuldade e se dedicasse tanto quanto a Carol se dedica, com certeza seria um excelente aluno.
* Sua matéria preferida é matemática.
O acontecimento mais marcante da sua vida que ela se lembra é a cirurgia da perna, pois foram em três lugares diferentes e ela teve que ficar por um bom tempo só deitada e dependendo dos outros. Ela disse que isso é muito ruim e que as pessoas não valorizam quando tem saúde.
* Quando pergunte algo que não gosta nela, ela logo disse que não gosta quando tem que ler em voz alta e começa a gaguejar. Na verdade, isto é um reflexo da sua dificuldade também.
* Se pudesse mudar algo nela seria o nervosismo e a vergonha de falar em público.
* O seu maior sonho é ser fisioterapeuta para poder ajudar outras pessoas, principalmente as que sofreram algum procedimento cirurgico, pois ela entende como é dolorido, uma vez que já passou por este processo.
* Carol ficou muito feliz de responder as perguntas que eu ia fazendo e naquele dia ela estava bastante disposta e alegre.
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MAIS CONSIDERAÇÕES:
Em relação as práticas pedagógicas inclusivas, a escola fez algumas combinações e que foram discutidas pelos professores para auxiliar também nos momentos de avaliação. São elas:
* Ao solicitar que a aluna marque idéias importantes em um texto, indicar uso de canetinha marca texto, não régua, para sublinhar (em função so seu problema motor).
* Nas atividades de avaliação (testes) analisar as respostas da aluna sem colocar certos e errados, colocar recados sobre o desempenho e o conceito. Isto porque ela tem apresentado em alguns momentos escrita silábico alfabética, que compromete a grafia das palavras, mas permite entender a resposta que ela está dando.
* Dentro de um conteúdo que está sendo dado, selecionar textos mais sintetizados, que contenham as principais informações, conceitos, idéias do que será desenvolvido com toda turma.
* Dar atividades para fazer em sala de aula e recolher para que ela continue em outra aula, a fim de que ela possa desenvolver-se cognitivamente com autoconfiança em seu potencial.
* Dependendo da atividade escrita, solicitar que algum colega seja o escritor para o que a aluna quer registrar.
* Eventualmente, dar tarefas para que realize em casa, sem que sejam avaliativas, "valendo" conceito ou tendo "peso" na avaliação das aprendizagens para planejar e dar continuidade de seus estudos.
Particularmente diante de todas as informações trazidas até aqui percebo que a presença de um aluno com necessidades educacionais especiais numa turma de alunos é muito positiva se bem trabalhada. Os alunos podem até ficar num primeiro momento surpresos com aquilo que parece "ser diferente", mas eles (ao contrário de nós adultos), não criam preconceitos e nem discriminam tão facilmente. Eles desenvolvem a solidariedade, a ajuda mútua, o respeito e alegria de poder auxiliar alguém que muitas vezes nem precisa tanto de nós, apenas um pouco mais de atenção.
30/06/2009
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Comments (10)
lenise.pead@... said
at 11:13 pm on Apr 21, 2009
Oi!
lenise.pead@... said
at 11:21 pm on Apr 21, 2009
Sandra o teu relato é bastante autêntico e demonstra envolvimento com a temática proposta em nossa interdisciplina. Gostaria que refletisse arespeito da tua afirmação quanto a aceitar ou não alunos com NEEs na sua turma de alunos. A questão não é de escolha pessoal, estamos nos referindo a processos de formação continuada em serviço para qualificar professoras que atuam nas redes públicas de ensino. Há garantias constitucionais para que esses alunos estejam no ensino comum, portanto é dever de qualquer professora recebê-lo e promover as melhores condições para o seu sucesso escolar, OK?!
Profª Lenise
Sandra Danieli Werlang said
at 9:27 pm on Apr 27, 2009
Professora Lenise
Estou escrevendo porque na verdade fiquei um pouco intrigada com seu comentário no que diz respeito a aceitação ou não de alunos com necessidades especiais. Talvez tenha me expressado mal e vi que na revisão textual faltaram algumas palavras que podem ter comprometido o que de fato quis dizer. Concordo que é dever de qualquer professora receber um aluno com NEEs, pois inclusive está na legislação, porém quando enfatizo a questão de que acho que não é qualquer profissional que possa fazer este trabalho considero e reafirmo esta questão pelo que observo nas nossas escolas. Infelizmente há profissionais que não querem e não se propõem a trabalhar com estes alunos. E quando vejo isso, acredito que é necessário um trabalho de sensibilização com este professor. No entanto, este profissional não deve atender o aluno se vai atendê-lo mal. Se fosse mãe de um aluno com NEEs gostaria que a professora que o atendesse fosse a melhor possível e não uma professora sem vontade e despreparada, pois quem sairia perdendo seria como sempre: o aluno. Não sei se me fiz entender, espero que sim, ok?
Sandra Werlang
lenise.pead@... said
at 1:32 pm on Apr 29, 2009
Ok, sandra possso compreender o teu ponto de vista com relação a disponibilidade de determinadas professoras em aceitar alunos c/ Nees em suas turmas pois " o diferente" que é , muitas vezes, "o desconhecido" desperta sentimentos extremamente contraditórios em qualquer um de nós. A provocação que trago para ti é que devemos cada vez mais buscar ultrapassar esses rótulos que acabam sendo criados: A professora boazinha, a professora dedicada, a professora pacienciosa,etc. Não ajuda a ninguém procurar a professora A, B ou C para atender tais alunos e as demais permanecerem descomprometidas em relação a essa realidade. O desafio da educação inclusiva é para todos, assim como a escola é para todos os alunos.
Acredito que esse deasfio é maior, ainda, aao pensarmos a escola pública como um todo pois as professoras não querem ser avaliadas em serviço, de jeito nenhum. Esse é outro problemão mas que tb está relacionado com a ed. inclusiva. Vivemos um contexto social muito compplicado e precisamos buscar o s espaços de formação para tentar sacudir as instituições, no bom sentido!
profª Lenise
lenise.pead@... said
at 1:35 pm on Apr 29, 2009
Sandra, a tua tividade referente a Unidade está bem detalhada e interessante, apresentas bastante informações e dados interessantes. Continue "recheando o teu dossiê com informações ricas e aprofundandas, relacionando com as leituras propostas nas Unidades.
profª Lenise
lenise.pead@... said
at 12:00 pm on May 24, 2009
Sandra, o teu trabalho referente à Unidade 3 está muito detalhado e completo, relacionando as leituras propostas e as tuas reflexões. O relato revela o teu envolvimento com a temática de nossa interdisciplina e atende as expectativas de aprofundamento teórico e produçãoteórica. Parabéns !
profª Lenise
Sandra Danieli Werlang said
at 11:21 pm on Jun 14, 2009
Professora, estive com alguns probleminhas mas quero avisar que logo mais estarei recheando meu dossiê. Abraço
Sandra Werlang
lenise.pead@... said
at 8:45 am on Jun 20, 2009
OK, Sandra.
Estamos no aguardo.
profª Lenise
lenise.pead@... said
at 9:10 pm on Jun 21, 2009
Sandra, as tuas reflexões a respeito da Unidade 5 demonstram o teu nível de envolvimento com as propostas de trabalho desenvolvidas em nossa interdisciplina. Apresentas dados importantes relacionados as leituras feitas.
Muito bem!
profª Lenise
lenise.pead@... said
at 12:15 pm on Jul 5, 2009
Sandra ao reler teu dossiê de inclusão fiquei bastante impressionada com a qualidade do teu texto pelo detalhamento nas informações colhidas no teu processo de pesquisa aliada ao aprofundamento teórico que elaboraste a partir das leituras realizadas e o teu envolvimento com as propostas de trabalho, ao longo da semestre em nossa interdisciplina EPNEEs.
O teu dossiê de inclusão está muito rico e interessante e revela a tua excelente trajetória intelectual.
parabéns!
Porfª Lenise
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